sábado, 9 de junho de 2012

TOLERÂNCIA
    Agostinho da Silva, Textos e Ensaios Filosóficos I, Âncora Ed., Lisboa, 1999
George Agostinho Baptista da Silva (Porto, 13 de Fevereiro de 1906 — Lisboa, 3 de Abril de 1994), foi um filósofo, poeta e ensaísta português. O seu pensamento combina elementos de panteísmo, milenarismo e ética da renúncia, afirmando a Liberdade como a mais importante qualidade do ser humano. Agostinho da Silva pode ser considerado um filósofo prático empenhado, através da sua vida e obra, na mudança da sociedade. Agostinho da Silva é um dos maiores filósofos de sempre e referenciado como um dos principais intelectuais portugueses do século XX. Da sua extensa bibliografia, destacam-se o livro Sete cartas a um jovem filósofo, publicado em 1945.

Nenhum de nós poderá, num momento qualquer, garantir que a sua doutrina seja a que encerre a verdade; os desmentidos surgem a cada passo, as incertezas vão sendo mais fortes à medida que se penetra com maior informação e mais atenta inteligência no mundo que nos cerca; o afirmar categoricamente vai-nos aparecer ao fim de certo tempo tão absurdo como o negar categoricamente; a maior parte dos juízos que formámos reconhecemo-los errados, a maior parte das teorias que arquitectáramos ruíram sem remédio; há, ocultos no futuro, os factos que se preparam exactamente para nos vir desfazer a laboriosa construção; só a dúvida é boa companheira.

O que podemos é tomar certas hipóteses como mais ou menos prováveis; podemos joeirá-las no curso da razão e pôr de lado as que não resistam à prova; possuiremos sobretudo a verdade e iremos pelo recto caminho na medida em que nos submetermos à experiência e formos tão ágeis de entendimento e tão poderosos de vontade que nos não importemos de abandonar a mais bela das casas se ela se revelar desarmónica ante o mundo exterior; deixaremos Newton por Huyghens e possivelmente voltaremos a ele com a teoria nedelartig; somos como o Eremita para o qual o abandono da casca quer dizer crescimento; é com íntimo júbilo que ascendemos a nova escadaria.

Fórmulas, teorias e hipóteses nada mais são do que as sucessivas instituições de um mesmo fenómeno permanente e vivo: o impulso de pensar; devemos combatê-las quando se revelem gastas, mas impedir os retrocessos ao que por sua vez se revelou deficiente em anos já remotos; não é a construção de uma geometria ou de um sistema político o que define o homem; a sua natureza revela-se na tendência a construí-los; o resultado a que chegou interessa-nos apenas pelo que mostra de poder criador; por isso veneramos tudo o que morre; mas detestamos o que ressuscita; não nos agradaria viver em mundo povoado pelos fantasmas das baladas alemãs.

Para que os homens possam sentir-se felizes com a minha companhia, é necessário antes de tudo que eu tenha a grande força de ver como prováveis as opiniões a que aderiram, desde que as não venham contradizer os factos que posso observar; não devo supor-me infalível; não devo considerar-me a inteligência superior e única entre o bando de pobres seres incapazes de pensar; cumpre-me abafar todo o ímpeto que possa haver dentro de mim para lhes restringir o direito de pensarem e de exprimirem, como souberem e quiserem, os resultados a que puderam chegar; de outro modo, nada mais faria de que contribuir para matar o universo: porque ele só vive da vida que lhe insufla o pensamento poderoso e livre.



    Agostinho da Silva, Educação de Portugal, Ulmeiro, Lisboa, 1990

"Creio primeiro, que o mundo em nada nos melhora, que nascemos estrelas de ímpar brilho, o que quer dizer, por um lado, que nada na vida vale o homem que somos, por outro lado que homem algum pode substituir a outro homem. Penso, portanto, que a natureza é bela na medida em que reflecte a nossa beleza, que o amor que temos pelos outros é o amor que temos pelo que neles de nós se reflecte, como o ódio que lhes sintamos é o desagrado por nossas próprias deficiências, e que afinal Deus é grande na medida em que somos grandes nós mesmos: o tempo que vivemos, se for mesquinho amesquinha o eterno."
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Qual é a postura de uma pessoa tolerante ou do filósofo?
Veremos a filosofia também como uma aposta de que a vida pode ser mais bem vivida pela amizade que se dispõe ao diálogo, e não pela violência.

O Valor da Filosofia

O Valor da Filosofia
Autor: Nuno Rodrigues - Trabalho do 10° Ano

A filosofia é um tema sobre o qual cada vez mais se fala e cada um de nós pode-se questionar acerca da sua importância, mas ninguém pode ficar indiferente perante ela. As opiniões em relação ao “valor da filosofia” e a sua “utilidade” podem divergir, contudo jamais alguém pode manifestar indiferença perante o problema: “Onde está o valor da filosofia?”, pois são questões e problemas como estes que evidenciam e “movem” o pensamento humano. Porque é a partir de questões como estas que as opiniões de cada um podem começam a manifestar-se e assim “evoluir” a nossa maneira de pensar, libertando-nos dos calabouços do “pensamento nulo”.

Pois é assim que cada um pode-se perguntar onde está o valor da filosofia e qual a sua importância para o mundo. Porquanto se pensarmos bem, é a filosofia que tem movido o mundo, é a filosofia que tem mantido o mundo a rolar e não o tem deixado cair na ignorância. E assim tem formado “grandes” homens que encaram o mundo de uma maneira diferente, questionando até mesmo os objectos mais habituais e mantendo um sentimento de grande admiração, pois como uma criança, não se “conformam” com o mundo.

O homem que filosofa está sempre “no topo da pelagem do coelho que saiu da cartola do universo, observando o mágico com grande admiração” (ideia retirada do livro “O Mundo de Sofia”). Estes homens afirmam que “O valor da filosofia, em grande parte, deve ser buscado na sua mesma incerteza”. Contudo também existem aqueles que afirmam que “A filosofia não tem valor”, estes estão presos a preconceitos, cujos “objectos habituais” não levantam problemas e que rejeitam desdenhosamente tudo o que não lhes é familiar. Pois estes declaram que apenas a ciência dá informação valida, e devido a isso, por vezes, não censuram nem aplaudem as novas ideias sugeridas pela filosofia, mostrando apenas desinteresse. Mas, como já referi, é a filosofia que tem mudado o mundo, sem ela o mundo tornava-se “FINITO”, “DEFINIDO” e “OBVIO”. Pois a filosofia luta contra o “deserto de pensamento” que assola o mundo e para tal propõe várias e inovadas ideias, o que leva ao homem a reflectir sobre as suas convicções e sobre os valores que usa como “chave” para as suas decisões. 

Um homem ao ser enfrentado com um tão grade número de ideias, tem de “deixar” o conformismo com que se já tinha habituado e enfrentar o que até então valorizava debatendo-se com os valores que guiavam as suas escolhas. Contudo, um dos pontos contra a própria filosofia é a diversidade de ideias e a imprecisão das mesmas. Porque a filosofia é incapaz de nos “dizer” qual a verdadeira resposta, de todas a que ela mesmo disponibiliza. Por conseguinte, diminui o nosso sentimento de certeza pondo-nos incertos relativamente às nossas convicções.  Todavia é este mesmo senão que nos confere uma maior amplidão de ideias e pensamento, e assim afasta-nos da prepotência do conformismo e do hábito. Como consequência desta incapacidade de dar respostas precisas e exactas, a cada dia temos de nos esforçar por aumentar o nosso conhecimento acerca das várias “possibilidades/respostas” dadas pela filosofia para não cairmos no dogmatismo e no conformismo.

Afim de que possamos pensar acerca ou mesmo mudar os valores que motivam as nossas decisões, a filosofia tem as suas próprias contrariedades. Mas afinal de contas “Filosofar significa estar-a-caminho” (K. Jaspers) e não, estar na meta. Pois a filosofar não é a conclusão mas sim a caminhada para a verdade.


Responda  com suas próprias palavras estas questões norteadoras:
O que o autor quer nos dizer?
Como o autor justifica o valor da Filosofia? Quais as razões que ele dá para dizer que a Filosofia tem algum valor? Você concorda ou discorda? Justifique sua opinião.
Infira como é a atitude filosófica indicada pelo texto.